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sábado, 29 de setembro de 2018

A NOÇÃO DE POSSE EM CRIOULO HAITIANO — Parte 1


         Não é a primeira vez que falamos sobre como indicar posse em crioulo haitiano. No artigo Pronomes Possessivos, vimos como usar os pronomes mwen, ou, li, nou, yo para isso. Aliás, vale deixar claro aqui que apesar de eu mesmo tê-los chamado de pronomes possessivos, a maneira mais correta seria chamá-los de adjetivos possessivos, mas isso é detalhe técnico.
         Em português, de maneira geral, para indicar posse fazemos uso da preposição de. Assim, dizemos coisas do tipo “livro do (de+o) José”, “casa da (de+a) Maria”, “o povo de Deus”. Vemos claramente que a preposição de tem como um de seus papéis atribuir a ideia de posse. O português veio do latim. No latim, a posse era indicada por uma flexão na própria palavra. Como assim? As palavras mudavam de forma para indicar que se tratava da ideia de posse. Pensando em um exemplo, peguemos a palavra menina em latim, puella. Para dizer que algo é “da menina”, ou seja, pertence à menina, muda-se o final da palavra para -ae­, ficando puellae. Para dizer isso no plural, ou seja, que algo é “das meninas”, muda-se o final para -arum, ficando puellarum.
         Com o tempo, o latim foi perdendo suas marcas de caso. Cada “caso” indicava uma função diferente, digamos. O caso genitivo é esse do qual estamos falando, indicava posse. Veja-se que o inglês também tem o caso genitivo, que é marcado pelo apóstrofo S (’s), por isso se diz em inglês the girl’s book (o livro da menina, literalmente /o menina-GENITIVO livro/). A marca do genitivo permite identificar a quem pertence o livro. Com a perda dos casos, as línguas neolatinas, as que derivaram do latim, passaram a empregar preposições que cumprem os papéis que antes eram das flexões de caso. É assim que o de tem hoje, em português e outras línguas, o papel de indicar posse. Lembrando que essa é uma de outras funções.
         Mas vamos ao crioulo, que nos interessa mais, pois já falamos o português. Algumas línguas mostram as funções da palavra dentro dela mesma, fazendo alterações na palavra por várias maneiras. São línguas em que o CASO é CONCRETO, porque vemos que a morfologia, a forma da palavra, é alterada, como vimos no latim. Mas em outras línguas, o CASO é ABSTRATO. As palavras não mudam, então como saber de suas funções na sentença? A colocação das palavras é importantíssima para marcar o caso, nessas línguas. É o que acontece com o crioulo haitiano.
         Em crioulo haitiano não se marca a posse nem por flexão (mudança na forma da palavra) nem por preposição (não se usa a preposição de para marcar posse). A noção de posse é pura e simplesmente marcada pela ordem em que as palavras aparecem numa sentença (ou num trecho dela, a que damos o nome sintagma). Qual é essa ordem?
         Eis a ordem seguida no crioulo haitiano:
OBJETO QUE ALGUÉM POSSUI + PESSOA QUE O POSSUI
         Apliquemos essa ordem pegando os exemplos que já foram citados aqui.
Livro do José : Liv Jozèf
Casa da Maria : Kay Mari
Povo de Deus : Pèp Bondye
         Basicamente, o que aconteceu? Sumiu o de, simples. Como falantes da língua portuguesa, nossa gramática interna (não um livro que dita regras!) faz com que tenhamos a impressão de estar faltando algo se não usarmos a preposição. É aí que temos de lembrar que as gramáticas das línguas diferem muito e temos que prestar atenção para não deixar que a gramática do português nos faça construir frase inexistentes na língua que estamos aprendendo.
         Existem algumas outras coisas a considerar sobre esse assunto, mas isso ficará para a parte 2. Hoje foi um daqueles artigos que falamos muito para ensinar pouco, mas espero que aproveitem das informações adicionais! A byento! Até logo!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Preposições: POU

                Nesta nova série, Preposições, começaremos por uma bastante usada — pou.
                É muito comum ouvir que “pou” corresponde a “para” e nada mais. Simples assim. Mas... será que é só isso mesmo?
                Há pelo menos quatro preposições equivalentes a “pou” em português. São elas: a, para, por, de. Vejamos algumas frases-exemplo em que “pou” é usado com cada um desses siginificados.
A, PARA
                A preposição “a” e “para” estão bastante relacionadas e, modernamente, empregamos as duas sem distinção na maioria dos casos no português. Essas preposições têm um sentido ablativo, ou seja, de afastamento em relação ao sujeito da oração. Então o sujeito é o ponto de partida e o objeto se afasta dele, que vai em direção a outra pessoa (ou lugar).
                Um presente para você
                Yon kado pou ou
                O “pou ou” é, também, muitas vezes equivalente ao que pela tradição gramatical brasileira se chama “pronome possessivo”, que mais é um adjetivo possessivo. Portanto, numa frase como “Este livro pertence a”, “Este livro é de(o, a)” traduziríamos “Liv sa a se pou Bruno”, por exemplo. Literalmente seria “Este livro é para o Bruno”, ou seja, é dele.
                O “pou” pode ter também sentido adlativo, ou seja, em direção ao sujeito. Diferente dos exemplos que vimos agora, em que há uma sensação de afastamento em direção contrária ao sujeito, o “pou” pode ser usado também na seguinte ocasião:
                Comprei uma maçã para eu comê-la
                M te achte yon pòm pou m manje l
POR
                Às vezes “pou” terá o sentido de “por”. E isso é algo a que devemos prestar muitíssima atenção. Alguns verbos do crioulo estão cheiíssimos de armadilhas seriíssimas! rsrs.
                O que acontece é que muitos verbos têm transitividade diferente da dos verbos portugueses. O que é essa tal “transitividade”? De maneira simples: é o fato de o verbo pedir ou não complemento. Um verbo como “miar” (do gato), é intransitivo. Dizemos “O gato miou” e pronto, não falta nada na frase. Mas um verbo como “gostar” pede um complemento, afinal, quem “gosta”, “gosta de” alguma coisa! “Eu gosto de chocolate.” Veja que interessante! O verbo “gostar” além de exigir que se diga a coisa que você gosta, pede também a preposição “de”. Não se diz apenas “Eu gosto chocolate”.
                Vamos ao verbo “orar”. Em português, nós “oramos a Deus”, “para Deus”. A preposição é essencial. Mas em crioulo se diz apenas “Orar Deus”. O verbo priye (orar) não pede preposição!
                Eu oro a Deus todos os dias
                Mwen priye Bondye chak jou
                Mas, e se eu colocar o “pou”?! “Mwen priye pou Bondye”? Isso significa “Eu oro por Deus”. Será que Deus precisa que alguém ore a favor dele?! Então não use “pou”.
                Não é tão fácil saber e prever as diferenças entre o crioulo e o português nesses aspectos, mas fique atento ao ler em crioulo e seja observador na hora de comparar com o português. Isso o ajudará muito!
DE
                Por último, com alguns verbos, e, infelizmente, não é possível dar uma lista de todos, o “pou” significará “de”. Nesse caso, ele só terá sentido ablativo, ou seja, em direção contrária à do sujeito. Um exemplo é o uso de “pou” com o verbo “correr”, que é “kouri” em crioulo.
                Ao juntarmos esse verbo e essa preposição “kouri pou”, não temos o sentido de “correr para (em direção a)” mas sim o sentido de “correr de (distanciar-se de)” alguma coisa.
                Reflitam bastante nesses exemplos e pratiquem! Logo haverá uma atividade aqui para que pratiquem o uso do “pou”.
Babay!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Você pergunta, o blog responde: "di ki sa..." existe?

Pergunta: É possível falar “Di ki sa w renmen?”? Vi isso na internet, mas não tenho certeza sobre ser correto esse uso. Podem escrever sobre isso? Obrigado.

Resposta:

Caro leitor, a frase como você a escreveu não é possível em crioulo. Não sei qual era o contexto, mas dá para afirmar que essa frase não é aceitável, a menos que seja uma afirmação. Se a intenção foi dizer “diga o que você gosta”, então ficará “di ki sa w renmen”. Mas se se refere à pergunta “do que você gosta?”, há apenas a opção “ki sa w renmen?”.

                Já comentei aqui no blog que línguas latinas não terminam frases em preposição. O crioulo tampouco permite isso. Assim, quando o verbo exige preposição, ela deve ser deslocada para o começo da frase como acontece em português. Veja:

(1-A) Eu gosto de queijo – Do que você gosta?

(1-B) Vou com a minha mãe para a festa – Com quem você vai?

                Em inglês — uma língua germânica, anglo-saxã — é possível terminar frase com preposição. Deste modo, uma frase como 1-B ficará:

(1-C) Who will you go with? (Quem você vai com?)

                A frase 1-C é impossível em português, o deslocamento de “com” é obrigatório. Do mesmo modo, em crioulo deve-se deslocar a preposição para o começo da frase, ficando:

(1-D) Avèk kiyès ou prale?

                Em crioulo, o verbo “renmen” (gostar) não exige preposição. Não se diz “gostar de alguma coisa”, mas apenas “gostar alguma coisa”. Portanto, não há preposição para ser deslocada, ficando:

(1-E) Ki sa w renmen? (Visto que o português exige a preposição, traduzimos por “Do que você gosta?”)

                Haverá casos, no entanto, em que “renmen” virá seguido de um outro verbo. Se esse verbo exigir preposição, deve-se colocá-la no começo da frase. Veja o caso de “pale” (falar).

(2-A) M ap pale de Labib (Estou falando da Bíblia)

                A pregunta, tanto em português como em crioulo, exige preposição:

(2-B) De ki sa w ap pale? (Do que você está falando?)

              Se eu fizer uma construção com perífrase, ou seja, usando dois verbos, e o último exigir preposição, deve-se colocá-la no início da frase também.

(2-C) Do que você gosta de falar?

              Veja que a preposição do verbo “gostar” está lá no lugar dela, após o verbo. A preposição do verbo “falar” não poderia ser o último elemento da frase, por isso foi deslocada para o começo. Em crioulo, a tradução ficará:

(2-D) De ki sa w renmen pale?

                A forma “di” só aparece com dois significados em crioulo: verbo “dizer”, e o adjetivo “difícil, duro”. Como preposição aparece justaposta a algumas palavras, por isso já não se considera mais uma preposição. Sua origem é do francês “du” da junção de “de + le”. Um exemplo é a expressão “dimaten” que significa “pelas manhãs, de manhã”. Era uma locução adverbial francesa que passou a advérbio em crioulo.

                Espero que a dúvida tenha sido resolvida, do contrário, não se esqueçam: vocês perguntam, o blog responde.

domingo, 2 de outubro de 2016

Você pergunta, o blog responde — Uso do DEPI

       Uma leitora do blog perguntou: “Aprendi que depi é “desde”, mas vejo muitos brasileiros que o usam como “depois”. É correto usar depi nesse sentido?”

          É um prazer ajudar você a entender melhor o uso do depi. A resposta à pergunta é: não, depi não é depois. A preposição depi equivale perfeitamente à preposição desde, da língua portuguesa.

     Essa preposição é usada para ‘indicar movimento ou extensão a partir de um ponto determinado no espaço ou momento’, conforme o dicionário Houaiss. Veja os exemplos usados no dicionário:

Ele veio a pé desde sua casa = ‘desde’ marca o ponto de partida (local físico) e se estende até o local em que a pessoa está no momento da fala.

Desde que horas você está aí? = pela preposição ‘desde’ queremos saber um ponto determinado no tempo.

     Assim, depi é a preposição que em crioulo equivale perfeitamente ao nosso desde. Vamos traduzir as frases acima?

Ele veio a pé desde sua casa = Li te vini apye depi lakay li

Desde que horas você está aqui? = Depi ki lè ou la?

     O que parece ter confundido alguns é o fato de que, às vezes, o depi pode ser traduzido por depois que, depois de. A locução depois que ou depois de tem sentido de desde. Talvez alguns tenham se confundido aí. Veja...

Depois que ele se casou foi morar no Haiti = Depi l te marye li t al abite Ayiti

     Nesse caso, depi e apre são intercambiáveis porque os dois marcam um evento no tempo que é o ponto de partida de algo. Também podemos traduzir: Apre l te fin marye li t al abite Ayiti.

     Se eu disser “conversaremos mais depois da reunião”, não poderei traduzir esse depois por depi.

     Depi também equivale à locução desde que, que significa: “com a condição de que”. Assim, veja a frase abaixo em que aparece uma condição:

     Desde que seja possível, vou te ajudar = Depi li posib, m ap ede w.

Resumindo...

1) Depi é a preposição desde.

2) Às vezes, na tradução, poderá aparecer como depois que, visto que esta expressão tem o mesmo significado de desde. Mas não se pode dizer que depi é depois.

3) Depi marca um ponto inicial no tempo ou no espaço (local físico) de um evento que se estende a outro momento ou espaço.

4) Depi marca a condição para que algo se cumpra.


     Dúvida sobre o uso de depi em algum caso específico? Só perguntar! Lembre-se: você pergunta, o blog responde.

ALGUMA DICA PARA O BLOG? ENVIE-NOS CLICANDO AQUI.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Colocação pronominal no crioulo haitiano

      O português é muito rico em opções, por ser rico, é complicado. Mesmo quando comparado às outras línguas da mesma família, a saber, o italiano, o espanhol, e o francês. O crioulo, porém, estabelece muito bem o uso de seus pronomes e a colocação deles na frase, por isso é menos complicado. Mas, a nossa colocação dos pronomes nem sempre coincidirá com a deles. Vamos a mais esse estudo!
      Em nosso idioma, os pronomes pessoais se dividem em: retos e oblíquos, estes últimos dividindo-se em átonos e tônicos. Lembremo-nos das funções dessas duas classificações. Os pronomes retos se empregam em posição de sujeito, eles conjugam os verbos. São pronomes retos: eu, tu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas. Já os oblíquos se empregam em posição de objeto, ou seja, o complemento do verbo. São oblíquos átonos (não pedem preposição): me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes. São oblíquos tônicos (e pedem preposição): a mim, a ti, a si, a nós, a vós, a si. Veja abaixo.

Eu comprei-lhe um livro

Eu = É o sujeito, é sobre quem se fala na oração, está conjugando o verbo. É pronome reto.
Lhe = É o complemente, a quem o livro foi comprado, aparece depois do verbo (já que é complemento). É pronome obliquo átono.

Eu comprei a ele um livro

Eu = Dispensa comentário já que é caso idêntico ao explicado acima. É pronome reto.
Ele = Ele, neste caso, funciona como pronome oblíquo tônico, é complemento do verbo, não o está conjugando e é precedido de preposição. Se dissermos “Ele comprou um livro a ele”, o primeiro “ele” é pronome reto e o último oblíquo tônico.
      Não basta toda a divisão dos pronomes. Nossa rica língua portuguesa nos fornece três formas de posicioná-los junto aos verbos. Chamam-se os posicionamentos dos pronomes oblíquos átonos:

PRÓCLISE > O pronome aparece ANTES do verbo.
     Ex.: Eu te disse!

ÊNCLISE > O pronome aparece APÓS o verbo, ligado por hífen.
     Ex.: Ele queixou-se da vida.

MESÓCLISE > O pronome aparece no meio do verbo! Estando estes verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito.
      Ex.: “Falaria a mim” torna-se “falar-me-ia”

      Em crioulo você não tem opção. Os pronomes retos sempre se antepõem (aparecem antes) aos verbos. Já os oblíquos átonos, estes devem aparecer enclíticos ao verbo, ou seja, sempre DEPOIS, mas não separados por hífen como fazemos em português. Vejam os exemplos:

Quero te dizer uma coisa

     Em crioulo teremos de alterar duas coisas. Não dá para começar a frase simplesmente partindo do verbo, pois eles não são desinenciais (clique aqui para saber mais da conjugação em crioulo). Assim, devemos dizer “Eu quero”. Outo detalhe: note que dissemos “te falar”, em crioulo vamos usar a ênclise, ou seja, “falar-te”. Fica então: “Eu quero falar-te uma coisa”. Agora conseguiremos traduzir ao pé da letra.

EU           |  QUERO   |   DIZER-TE    |   UMA   |   COISA
MWEN    |     VLE     |       DI OU       |   YON    |   BAGAY

      Simplificando tudo: a colocação do pronome é essencial para não haver confusão. Quando o pronome vem antes do verbo ele é sujeito (é de quem se fala na frase) e quando está depois do verbo ele é complemento. Imagine que você queira dizer “Me ajude” (Ajude-me) se você disser “Mwen ede” você está dizendo “Eu ajudo” mas quando você diz “Ede m” ou “Ede mwen”, então, sim, você está dizendo “Me ajude”.

      Evite o brasileirismo no crioulo. Havendo muitos brasileiros interessados nesse idioma, alguns estão “importando” para o crioulo o brasileirismo (falo dos brasileiros porque isso é mais comum aqui, assim não injustiço os portugueses que leem este Blog) de dizer “para ele” ou “a ele” em vez de “lhe”. Assim, observem o que ocorre:

Diz-se no Brasil:
     Eu disse para você
Em vez de se dizer:
     “Eu lhe disse” ou “Eu disse-lhe”

      Deste modo, alguns dizem: “Mwen te di pou ou”. Note-se a preposição “pou”. Ora, este uso não é comum do crioulo, mas do português brasileiro. Assim, queira dar atenção à informação abaixo:

Eu disse a você / Eu te disse = M te di ou (não, pou ou)
Você disse a mim / Você me disse = Ou te di m (não, pou mwen)
Ele disse a nós / Ele nos disse = Li te di nou (não, pou nou)
Nós dissemos a vocês = Nós lhe dissemos = Nou te di nou (não, pou nou)
Vocês disseram a eles / Vocês lhes disseram = Nou te di yo (não, pou yo)

      Outra coisa que repele o uso de “pou” é o fato de o verbo dizer (di) ser transitivo direto, ou seja, não pede preposição. Repare que o verbo não pede preposição nem mesmo em casos de nome próprio.
      Em português, geralmente, na linguagem popular, a ordem é “dizer para alguém algo”. Essa também será a ordem no crioulo. Assim, ficará: “dizer + a pessoa a quem se diz + o que se diz”, note que não haverá preposição em momento algum. Vejamos o exemplo de uma frase.

Em português: Eu disse para o Bruno que quero comprar água.
Em crioulo: Mwen te di Bruno mwen vle achte dlo
Verbo conjugado: Mwen te di
A pessoa a quem se disse algo: Bruno
O que se disse: mwen vle achte dlo

      Reparou que se traduzirmos exatamente para o português a frase ficaria estranha? A tradução literal é: “Eu disse Bruno eu quero água”. Não usamos a preposição “para” ou “a” e muito menos o “que”. Então, lembre-se: Verbo DIZER + a pessoa a quem se diz (seja um pronome ou nome próprio) + o que você disse.
      Parece um pouco complicado né? Que tal fazer várias frases com esse verbo? Que tal fazer várias frases usando os pronomes me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes? Se tem alguma dúvida específica, não deixe de mandar uma mensagem para o Blog usando o formulário de dúvidas (se você está acessando pelo computador) ou pelo e-mail aulasdecrioulohaitiano@gmail.com.

       Até mais! N a wè pita! Babay!
Revisado em 05/01/2016.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Você pergunta, o Blog responde: Qual é o sentido do verbo "BOULE", na frase "N ap boule?"

      Olá a todos! Vamos iniciar a série de perguntas dos internautas e as respostas dadas pelo Blog. Vale notar que: não mencionaremos quem fez a pergunta. Outra coisa a notar é que talvez você reconheça que a pergunta mencionada aqui foi a sua! Mas, gostaria de lembrar que as perguntas serão adaptadas, ou seja, não serão exatamente como vocês a perguntaram. Por que não? Porque a pergunta precisa ser revisada e também, às vezes, ampliada. Vou explicar! Imagine que você perguntou: “Qual é a diferença de ANTANKE e TANKOU?” Essas duas palavras significam “como”. Mas, há também outras palavras que significam “como”. Deste modo, vou ampliar sua pergunta, e ficará: “Qual é a diferença entre “antanke”, “tankou”, “kòm” e “kòman”?” Reparou? A pergunta ficou mais abrangente. Aproveitando isso, se você ainda não sabe a diferença clique aqui e leia o artigo. Mas, vamos ao que interessa! Nossa primeira pergunta é...

Qual é o significado do verbo “BOULE” na frase “N ap boule”?
     Pergunta interessante essa. A resposta é simples: BOULE corresponde ao verbo LIDAR, nesse caso. Mas, surgiu outra questão! O internauta levantou a questão e nós prontamente a respondemos. Que questão?

Mas, “BOULE” só pode significar “LIDAR” quando
estiver acompanhado da preposição “AK”, não é verdade?
     É e não é! Como assim?! Bem, tudo é questão de regência verbal. Se vocês forem ao dicionário de verbos, verão que “boule” significa “queimar”, “ferver”, mas quando dizemos “boule ak” o verbo assume o significado de “lidar”. Isso acontece bastante na língua portuguesa, mas, na maioria das vezes, não nos damos conta. Querem um exemplo de como isso ocorre na nossa língua? Vamos ao verbo DEVER.
     Às vezes usamos o verbo DEVER para indicar a obrigação de alguém cumprir com determinada ordem ou também o empregamos no sentido de probabilidade. Veja as frases abaixo.

a) Você deve limpar isso hoje! (Vemos que “dever” está empregado aí para dar ordem)
b) Quando anos ela tem? Deve ter uns 11 anos. (Nesta frase o verbo “dever” dá ideia de probabilidade)

      Mas, e seu eu disser para você que a segunda frase está ERRADA! Como assim?! Bem, se formos seguir as regras da nossa maravilhosa língua portuguesa, teremos de mudar algo. A gramática diz que: “Para o verbo DEVER indicar probabilidade ele deve ser acompanhado da preposição DE”. Isso mesmo, de acordo com a gramática “DEVER DE” significa “provavelmente”, então a frase ficaria: Ela deve de ter uns 11 anos. Mas, é verdade que hoje a nossa língua é mais flexível e nos casos de perífrase e locução verbal (quando dois verbos se encontram) a preposição “DE” pode ser omitida. Bem... mas ainda não chegamos à resposta concreta. Vamos pensar em outro verbo. Que tal o verbo “GOSTAR”? Vamos usá-lo.
      Vamos usar a forma “GOSTARIA”. Sempre que você diz “GOSTARIA” você usa a preposição “DE”. Exemplos...

a) Gostaria de comprar um livro de crioulo haitiano
b) Gostaria de viajar ao Haiti

     Reparou? Mesmo quando dois verbos se encontram usamos o “DE” (gostaria de comprar, gostaria de viajar). Mas... há uma ocasião em que você não vai usar o “DE”. Quando???

     Imagine que eu lhe ofereça um pedaço de bolo (de chocolate!). Eu gentilmente vou dizer:
   — Gostaria de um pedaço de bolo?
      Sua resposta com certeza será... (lembre-se de que temos de usar o verbo “gostar”)
   — Sim, gostaria.

      Meu Deus!! Onde está a preposição?! Sempre que eu uso “gostaria” tem que ter a preposição!!! Não, não. Não é bem assim. Agora vamos ter que voltar lá no latim!! Afinal, o português veio do latim. O francês também. E o crioulo do francês. Assim, o latim influencia o crioulo. Vamos voltar lá então...
      Lá no latim temos a regra que diz: “Não se termina frase em preposição.” Pronto! Matamos a charada. Sempre que usamos “gostaria”, dizemos “gostaria de”, exceto quando estiver no final da frase, porque não se termina frase com preposição. Assim, voltando ao maravilhoso crioulo, temos a resposta...
      O verbo “boule” sempre terá de ser acompanhado por “ak” para significar “lidar”, ficando então: “boule ak”. Mas, quando o “boule” estiver no final vamos omitir o “ak” e mesmo assim significará “lidar”. Portanto, podemos apropriadamente traduzir a frase “N ap boule” por “Estamos lidando”, ou “Estamos levando”, que é a forma como falaríamos (não que “boule” signifique “levar”).
      Espero que este artigo tenha esclarecido algumas dúvidas. Se ainda restou alguma dúvida sobre este tema, mande sua pergunta já! Se tem outras perguntas, acesse o Blog pelo computador (ou no celular, pela versão para computador) e preencha o Formulário de Perguntas!
Revisão de 07/01/2016.

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Novo Dicionário de Verbos em Crioulo Haitiano disponível!

     É um prazer informá-los de que está disponível uma nova ferramenta para os estudantes do crioulo haitiano! Mas, ANTES de abrir o link para o dicionário é muito importante que você leia este artigo para saber mais detalhes desta ferramenta e poder tirar o melhor proveito dela.
     Em primeiro lugar, tenham em mente que este é um dicionário em construção. O que isso quer dizer? Bem, em poucas palavras, esta obra não está completa, mas, já que beneficiará a muitos, decidi disponibilizá-la de forma eletrônica, assim todos poderão se beneficiar do que já está pronto. O dicionário será atualizado regularmente, por isso sempre que consultá-lo pode haver algo novo. Como você pode contribuir para o dicionário? Reportando erros, mandando novos verbos para que sejam incluídos, mandando perguntas específicas sobre o uso de um verbo, ou seja, tire suas dúvidas, comente. Pode ser que alguns verbos bem básicos ainda não estejam inseridos, por quê? Às vezes ainda se está fazendo pesquisa a respeito de alguma particularidade deste verbo.
      O dicionário também tratará da regência de alguns verbos. A regência verbal estuda a relação de verbos e preposições. Pode ser que um verbo tenha um sentido diferente dependendo da preposição que o acompanha. Um exemplo básico é o verbo SÈVI, que pode apropriadamente ser traduzido por SERVIR. Mas, quando após o verbo SÈVI empregarmos a preposição AVÈK (ou AVÈ ou AK) o sentido é o mesmo do verbo USAR. Veja abaixo dois exemplos:

Yo sèvi Wa peyi a = Eles servem o Rei do país
Sèvi ak selilè w pou ou aprann Kreyòl = Use seu celular para aprender crioulo

     Às vezes, a maneira como alguns verbos são escritos diferem de autor para autor. Por exemplo, o verbo SUIV às vezes é escrito como SWIV. Neste dicionário eu darei prioridade a um em vez de deixar as duas formas. A preferência de um pelo outro se dá por meio de pesquisa das regras de escrita do idioma e também por razões etimológicas.
      Note que os verbos estão divididos em ordem alfabética de acordo com o alfabeto português.
      Espero que esta nova ferramenta possa ser de ajuda para o aprendizado do crioulo! Comece a usá-la logo! N'ap wè.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O DICIONÁRIO

Revisado em 31/12/2015.
Revisado em 16/12//2015.
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sábado, 25 de outubro de 2014

Saiba usar as preposições NA e NO em crioulo haitiano

Como usar as preposições NO e NA em crioulo haitiano?
     Bem, antes de mais nada, é bom lembrar que as preposições NO e NA se formam a partir da junção da preposição EM + ARTIGO DEFINIDO.
EM + A = NA
EM + O = NO
     Agora que sabemos que as preposições NO e NA vêm da junção da preposição EM com o artigo definido O e A, temos de ter ainda outra coisa em mente. O quê? Bem, no crioulo não há junção de EM + A ou EM + O. Tais termos devem ser ditos separadamente. Veja.
Em vez de dizer,
              NA ESCOLA
                        Diga,
                            EM A ESCOLA.
     Ahhh!! Mas, há outro detalhe. Lembra-se de que no crioulo o artigo vem após o substantivo? Lembra-se, não é? Então, em vez de dizer A ESCOLA, deve-se dizer ESCOLA A. 
     Assim, em vez de dizer EM A ESCOLA, deve-se dizer EM ESCOLA A. Assim formamos o que em português seria "NA ESCOLA".
     Mas, como se diz "EM" em crioulo? Simples: NAN.
● NA ESCOLA = NAN LEKÒL LA
● NO CENTRO = NAN SANT LAN
● NO CARRO = NAN MACHIN NAN*

*Note que na última frase aparece NAN duas vezes. O primeiro NAN é a preposição EM. O segundo NAN é o artigo O.
      
Consulte a lição dos artigos definidos para ver como combinar os cinco artigos definidos do singular aos substantivos. Até mais! N'a pale pita!!!
Artigo revisado em 13/12/2015.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Como dizer em crioulo? — Comigo, com você, com ele, conosco ...

Em português temos as formas comigo, contigo, consigo, conosco, com nós, com vocês, com eles que resultam da junção da preposição com + pronome pessoal.

Em crioulo basta usar a preposição avèk + pronome pessoal. Você entender mais sobre os pronomes pessoais do crioulo haitiano clicando aqui.

avèk mwen comigo

avèk ou contigo, com você

avèk li com ele/ela

avèk nou conosco, com nós

avèk nou consigo, com vocês

avèk yo com eles/elas

            Outra forma da preposição avèk (com) é ak. Você tem a opção de usá-la em vez de avèk. Não há regras especiais para o uso de ak e avèk. Por exemplo, se quiser dizer comigo, diga avèk mwen ou ak mwen livremente.

            Existe, no entanto, uma terceira forma da preposição avèk. É a forma em que cai o -k final, ficando apenas avè. Com esta forma é possível usar os pronomes pessoais reduzidos. Veja as possibilidades abaixo.

avè m comigo

avè w contigo, com você

avè l com ele/ela

avè n conosco, com nós

avè n consigo, com vocês

avèk yo com eles/elas

            Com yo não há a possibilidade de algo como *avè y. Quando às outras possibilidades, fique à vontade para usá-las!

Artigo reescrito em 09/11/2020.

Estamos de volta, mas em outra plataforma!

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