terça-feira, 30 de março de 2021

Mais um podcast para ouvir sobre o crioulo haitiano esse mês!

Como se não bastasse o episódio incrível que tivemos sobre o crioulo lá no Babel Podcast, tenho mais uma novidade para vocês!

É com prazer que o blog anuncia o episódio-piloto de um podcast para falarmos exclusivamente do Haiti. A parceria entre mim, a Renata Dantas e o Francky Septembre — nosso representante oficial do Haiti — rendeu uma boa conversa sobre o Haiti no primeiro episódio do podcast "Koze mande chèz". 

Você poderá ouvir o episódio no Spotify e outras plataformas de podcasts. O link para o podcast Koze Mande Chèz é: https://anchor.fm/koze-mande-chz 

Também convido vocês a conhecer o blog da Renata, onde vocês poderão também ler sobre as aventuras dela no Haiti (clique aqui). E, quem sabe sabe em breve, vocês também poderão ler o blog de poesias em crioulo haitiano do Francky. Ouçam o podcast e vocês entenderão do que eu estou falando! rsrs.

Espero que gostem. Por que não comentam aqui embaixo o que gostaram e o que querem ouvir nos próximos episódios? Se é que vocês querem próximos episódios... rsrs. :D


Participação do blog Aprann Kreyòl Ayisyen no Babel Podcast

Bonjou, bonswa tout moun!

Venho aqui para contar uma novidade para vocês. Faz alguns dias saiu o último episódio do incrível Babel Podcast. Esse é um podcast sobre línguas que convido vocês a conhecer e a viajar pelas línguas do mundo com eles.

No episódio 21, que saiu agora em março de 2021, o blog Aprann Kreyòl Ayisyen teve sua participação. Afinal o episódio foi sobre o nosso querido idioma, o crioulo haitiano.

Vocês podem ouvir o Babel Podcast em várias plataformas: Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts, no YouTube e por aí vai. Só procurar na sua plataforma preferida.

Para não ter erro, segue o link do blog do Babel Podcast onde vocês podem também conferir as referências das nossas discussões: https://babelpodcast.medium.com/ 

À Cecilia Farias e ao Bruno Guide fica o meu agradecimento pela oportunidade de contribuir com esse episódio do Babel Podcast, do qual já sou ouvinte há tempos! :D 


domingo, 14 de março de 2021

“Pandemi a” ou “pandemi an”?

A dúvida entre “pandemi a” ou “pandemi an” para dizer “a pandemia” em crioulo haitiano surge porque a regra é que palavras terminadas em vogais orais devem ser seguidas da forma “a” do artigo definido no singular.

O que acontece no caso dessa palavra é que ela não termina por uma vogal oral, mas sim por uma vogal nasalizada. A consoante que antecede o “i” é uma consoante nasal, [m]. Isso faz com que o [i] seja nasalizado, e a pronúncia fique [pãdemĩ]. Existem diferentes graus de nasalidade e no caso dessa vogal, na maioria das vezes, nossos ouvidos brasileiros não captam essa nasalidade, mas ela está lá.

Assim, o correto é “pandemi an”.

Para entender mais sobre os artigos definidos, você pode clicar aqui. Para entender mais sobre a colocação deles nas frases, você pode clicar aqui.

O blog também oferece cursos que abordam os usos dos artigos definidos, como o curso “Iniciação ao idioma crioulo haitiano” e o curso “A construção de frases no crioulo haitiano”. Você pode acessar a página dos cursos clicando aqui.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O que significa "pito"?

Não é fácil encontrar uma só palavra que equivalha a "pito", mas é possível entender o sentido de "pito". Tudo indica que "pito" vem do francês plutôt, que quer dizer algo como "em vez de". Este também é o sentido no crioulo haitiano, usa-se para expressar preferência por uma coisa em vez de outra. Veja: não é que pito seja o mesmo que em vez de, mas que carrega uma ideia parecida à da expressão em vez de. 

Uma outra comparação que possa ajudar a esclarecer o sentido de pito é compará-lo ao uso de antes no português, quando usado para expressar preferência. Dizemos "Antes só do que mal-acompanhado", e muitas outras frases possíveis. Veja que esse antes é justamente para marcar a preferência de ficar sozinho a ter uma má companhia por perto.

Aos alunos que falam inglês também facilita comparar pito a rather, no inglês, são termos bem equivalentes.

Espero que a explicação tenha ajudado você! O que achou? Deixe seu comentário!

sexta-feira, 8 de maio de 2020

PISKE e PASKE


Para responder a esta pergunta, não vejo alternativa senão recorrer a duas classificações comuns à Gramática Tradicional, ainda que estas nomenclaturas não sejam as melhores. Para o bem da concisão, no entanto, me abstenho do rigor da descrição linguística. Abstenho-me também de análises mais profundas, se é o superficial que nos ajudará.

“Paske” corresponde ao que a Gramática Tradicional chama de “conjunção coordenativa explicativa”, ao passo que “piske” se enquadra no que a Gramática Tradicional denomina “conjunção subordinativa causal”. Deixando de lado os nomes, pensemos nas ideias de CAUSA e CONSEQUÊNCIA.

“Piske” deve ser empregado quando existe a relação Causa > Consequência.

Piske l ap fè lapli, m pap soti jodi a (Visto que está chovendo, não vou sair hoje)

Temos, no exemplo acima, a relação Causa x Consequência. Abaixo encontra-se outro exemplo.

M pap soti jodi a paske l ap fè lapli (Não vou sair hoje porque está chovendo)

“Paske” é empregado neste contexto porque agora se explica a razão da decisão de não sair hoje. Tomou-se a decisão de não sair, e explicou-se a razão da decisão.

É verdade que ambos os exemplos acima são muito próximos em seu sentido e têm o mesmo resultado no mundo real. Note-se, no entanto, que no primeiro exemplo “piske” introduz a causa, e depois se diz a consequência. Exatamente nesta ordem. Não é o mesmo com o segundo exemplo, em que o termo “paske” introduz uma explicação, não uma consequência.

“Piske” introduz uma causa, para a qual haverá uma consequência. “Paske” introduz uma explicação.

Espero que esta breve explicação já lhes seja de proveito!

sábado, 25 de abril de 2020

Você pergunta, o blog responde: Qual é a diferença de “fè” e “fèt”?


Ótima pergunta. Nem sei por que ainda não tínhamos falado disso aqui. Então vamos lá...
         Antes, será necessário entender um processo que acontece com os verbos. Todos eles são termos que fazem EXIGÊNCIAS. Isso mesmo, eles exigem que outras palavras os acompanhem. Um verbo como VER, por exemplo, exige um SUJEITO (quem vê) e um OBJETO ou COMPLEMENTO (quem ou o que é visto). Assim é que temos uma frase como “João viu Maria”.
         Todo sujeito e todo objeto recebem algo que se chama PAPEL TEMÁTICO. O sujeito e o objeto sempre terão um papel em relação ao verbo, e esse papel muda de verbo para verbo. Um verbo como VER tem o sujeito que será o EXPERIENCIADOR (quem tem a experiência de ver) e um TEMA (a coisa que é vista).
[João]sujeito-EXPERIENCIADOR VIU [Maria]objeto-TEMA
         Agora, vamos nos concentrar na comparação dos seguintes exemplos:

João cortou a árvore
João cortou o cabelo

         As duas frases-exemplo têm como sujeito “João”. Mas qual é o papel temático de “João” em cada uma delas? Na primeira “João” recebe o papel temático de AGENTE porque ele faz a ação de ‘cortar a árvore’. No segundo exemplo, no entanto, “João” recebe o papel temático de PACIENTE, porque não foi ele que cortou o cabelo dele (até poderia, mas não foi rsrs) e ele recebe a ação.
         Que outros verbos exigem agentes? Pense em QUEBRAR. Alguém quebra alguma coisa. “João quebrou o vidro da janela”, “João” é o AGENTE de “quebrar”. Mas e se dissermos “O vidro da janela quebrou”, será que a janela fez a ação de quebrar? Não! Na verdade, alguém quebrou a janela.
         Não estamos aqui para entender todos os detalhes da atribuição de papéis temáticos pelos verbos, mas com as informações que temos, já é possível entender o básico que precisamos para diferenciar “fè” de “fèt”.
         FÈ é o verbo “fazer” e seu sujeito é sempre o AGENTE da ação.

[Guerline]AGENTE te FÈ yon gato = Guerline fez um bolo

         O sujeito “Guerline” recebe o papel temático de AGENTE, ela é que fez alguma coisa.
         Já FÈT é como uma variação do verbo “fazer” e o sujeito de FÈT recebe sempre o papel temático de PACIENTE.

[Gato sa a]PACIENTE FÈT pa Guerline = Este bolo foi feito pela Guerline
[Reyinyon an]PACIENTE FÈT ak patisipasyon nou = A reunião é/foi feita com a participação de vocês

         Veja que ao traduzir para o português, frases com “fèt” geralmente vão para a voz passiva (ex.: com a construções SER + particípio).

         FÈT também corresponde ao verbo “nascer”.

Ki kote l te fèt? = Onde ele nasceu?

         Não confunda o FÈT que explicamos aqui com o substantivo “fèt” que significa “festa”.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Como se diz “futuro” em crioulo haitiano?


         A palavra “futuro” pode ser usada como um substantivo ou como um adjetivo.

         O substantivo “futuro” pode ser definido como “tempo que se segue ao presente” ou “conjunto de fatos relacionados a um tempo que há de vir; destino, sorte.” Quando falamos sobre o futuro devemos usar a palavra avni ou lavni em crioulo haitiano. Não importa a forma, qualquer uma das duas está valendo!

Que futuro você quer para seu filho? = Ki avni ou vle pou pitit ou?

Vocês estão se preparando para o futuro? Èske n ap prepare nou pou lavni?

Você precisa planejar seu futuro = Ou bezwen planifye avni w

         A palavra “alavni” corresponde a “no futuro”, “futuramente”.

Quem sabe o que vai acontecer no futuro? = Kiyès ki konnen sa k pral pase alavni?

         Há também, no crioulo haitiano, a palavra fiti. Quando usá-la? Fiti é usado em um dos seguintes casos:

1)     Ao se referir ao “futuro” como tempo verbal, ou seja, ao falar sobre a gramática de uma língua.

Hoje vamos aprender a conjugar os verbos no futuro. = Jodi a nou pral aprann fason pou n konjige vèb yo nan fiti

2)    É possível que fiti apareça também como adjetivo, como em “futuro marido”, “futura esposa”, “geração futura” etc. Este uso é pouco comum, mas é possível.

Bons estudos a todos! Babay!

Estamos de volta, mas em outra plataforma!

  Como estão "zanmigos"? Estamos de volta, mas no Instagram:  https://www.instagram.com/aprendacrioulohaitiano?igsh=MXBkb2JmanRqeG...